Em inúmeras vezes, quando referia-se ao Pai, concluía dizendo que ambos eram um, e que vivia no Pai e o Pai nEle (Jo 10:30, 37, 14:9) . E "um" no sentido de unidade, de comunhão de pensamento, objetivo. Sim, o Filho submetendo-se a vontade do Pai que regozijava-se com sua vida e obra (Mt 3:17).
Em sua oração ao Pai, junto ao Monte das Oliveiras no vale do Cedrom, Jesus pediu ao Pai que seus discípulos também assim vivessem e agissem: em unidade (Jo 17:11). A igreja não poderia ter um início eficaz se não houvesse esta visão de unidade por parte dos seus discípulos. Jesus sabia disso, e ora intensamente ao Pai, prevendo que seu plano tinha como sequência a condução da sua obra por parte dos seus discípulos.
Até mesmo em sentido negativo, referindo-se ao diabo, Jesus disse que um reino subdividido não poderia subsistir (Mc 3:24, Mt 12:25).
Em Atos dos Apóstolos vemos que desde o início a igreja procurava manter-se nesta unidade (At 1:14, 2:1, 44-46, 4:32) e Deus cumpria seu propósito de salvação através desta (At 2:47).
Unidade tem como resultado o alcançar de objetivos.
Qual é o nosso objetivo como igreja?
Qual é o meu objetivo como cristão?
Vemos também esta visão no ensinamento dos apóstolos, pois se o objetivo da igreja, e consequentemente do cristão, é cumprir o ministério de salvação, o "Ide", não há outra maneira de este ser alcançado se não houver unidade.
Pedro em sua primeira carta fala que todos nós devemos ter o mesmo sentimento em amor, misericórdia e afeto (I Pe 3:8).
Paulo na carta aos Romanos, falando do viver cristão, disse que deveríamos ser unânimes (Rm 12:16) e aos filipenses quanto ao compromisso de assumir a luta pela fé no Evangelho, teria como pressuposto a unidade (Fl 1:27). Unidade essa no Espírito e de maneira pacífica (Ef. 43).
João ousa dizer que se não andamos em unidade não estamos vivendo na luz de Cristo (I Jo 1:7).
Unidade. Salvação. Vida Eterna.
Vivemos em dias difíceis neste quesito primordial da unidade. Seja no campo filosófico, ideológico, político, eclesiástico.
Vivemos em dias quais não há uma importância, uma dedicação, uma atenção, um comprometimento com a unidade.
Importante lembrar que a destruição é um dos atributos de satanás (Jo 10:10), e fica evidente a concretização deste plano maligno quanto não primamos com a unidade, haja vista que a preservação desta não é do seu agrado.
Discussões, dissensões, nunca foram bem vistas no seio cristão, pois está Cristo dividido? (I Co 1:10, 12-13). Paulo ainda orienta a Timóteo e a Tito quanto a este perigo para que rejeitem, evitem tudo o que possa promover a quebra desta unidade (II Tm 2:23, Tt 3:9).
Mas com pesar olho para a minha vida, para muitos cristãos que hoje vivem distantes deste compromisso. Qual o fator? Talvez seja algo intrínseco, e o é, pois a natureza humana é pecaminosa, e por várias vezes ainda se manifesta.
Por outro lado vejo que no momento em que o cristão deixa de fixar o seu olhar à Cristo, dá então lugar a este tipo de sentimento, onde brotam motivos para que a unidade não seja vivida e real em nosso meio.Quando deixamos de olhar para Cristo e viver em Sua Palavra, passamos a olhar para o homem, e consequentemente encontramos razões, humanas, que resultam na quebra da comunhão.
Como referi anteriormente, o homem é falho, propenso ao erro pela sua natureza humana e pecaminosa (Rm 7:18). Sendo assim, não há como viver em unidade quando olhamos para o homem.
Quando olhamos para o homem, encontramos erros, equívocos, falsas doutrinas, heresias. Mas quando olhamos para Cristo, e vivemos em unidade, temos o compromisso de zelar por esta comunhão e o dever de admoestarmo-nos em amor (Rm 15:14) e sujeitando-nos no temor de Deus (Ef. 5:21).
Isto é tão sério que aos Gálatas Paulo questiona: "vocês estavam tão bem, quem vos impediu de obedecer a verdade? Esta persuasão, este convencimento não vem daquele que vos chamou!" E salienta: "um pouco de fermento leveda toda a massa". Ainda mostra o resultado disso ao listar as obras da carne, que dentre as demais destaca-se "dissensões" e sentencia dizendo que "os que cometem tal coisa não herdarão o reino de Deus". Vide Gálatas capítulo 5.
Ora meus irmãos, o que vejo atualmente é uma ferrenha disputa ideológica no campo doutrinário, e que só tem trazido prejuízo ao Corpo de Cristo!
Jovens cristãos tem se mostrado insubmissos ao encontrarem um ensinamento que destoa do que aprenderam, fomentando dissensões, facções, verdadeiras guerras em sua igreja local. Não somente isto, mas presumem-se superiores a todos aqueles que discordam de seu "achado teológico".
Meninos, levados a todo o vento de doutrina (Ef. 4:14). Perdem sua juventude, afastam-se do plano de Deus para sua vida, por questões ridículas que em nada, absolutamente nada, edificam ( I Tm 1:4, II Tm 2:23).
Sim, meninos, que fazem coisas de meninos, mas que precisam amadurecer e acabar com estas coisas (I Co 13:11).
Meninos que andam de igreja em igreja, não se firmam na Verdade, buscam preencher seu vazio com aquilo que querem ouvir (Tm 2:3-4), e faticamente se não encontram seguem o seu ciclo por esta busca constante e inconsequente, pois não há neles o respeito, a consideração, a comunhão, a unidade.
Mas diante deste caos, ressoa ainda a oração de Cristo: "Pai, faz-os um!"
Vivamos em unidade, por mais que não haja concordância em tudo, e seria utopia pensar que houvesse, mas que preservamos o amor, que é o vínculo da perfeição (Col 3:14).
Irmãos, meu desejo é que "a graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém." 2 Coríntios 13:14


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